Vitor Pontes de Souza Maciel

Texto Portuges

Título do projeto:
 Desenvolvimento Sustentável Humano – Trabalhadores de Rua

Técnica: Fotografia Digital

Descrição do projeto:
Socialmente, alheios ao foco do poder público, confrontamos a situação de pessoas sem lar, os chamados moradores de rua, e somos convidados a pensar sua realidade, carências e necessidades, seus hábitos e enfrentamentos morais que apenas superficialmente imaginamos. Apresento algumas cenas dessas vidas que nos convidam a repensar o ser humano, sua condição e seus sonhos.
Frequentemente miro essas pessoas, na linha entre o perceptível e o limite para fora do quadro social. Saber como vivem, o que pensam e gostariam de dizer me são grandes motivadores. Fotografo homens e mulheres se esforçando por viver com dignidade, à cata de oportunidades que lhes viabilizem economicamente um meio de sobrevivência, a satisfação de suas necessidades básicas, a obtenção de um mínimo conforto e de serem socialmente aceitos e respeitados. De terem voz e amparo. Chamo-os trabalhadores de rua.

Alguns catam papel nas ruas e os vendem para empresas de reciclagem, auxiliando não só na limpeza da cidade como no reaproveitamento de material descartado. Outros coletam em lixos e restos de construção o procurado fio de cobre, muito bem valorizado por empresas do tipo “ferro velho”.

Alguns coletores de fios de cobre atuam dentro do ecologicamente correto, outros não. Os segundos, ao invés de utilizarem descascadores de fio, arriscam a saúde na queima do fio de cobre para separá-lo da capa plástica, inalando vapores tóxicos e ferindo a ética da sustentabilidade que impõe a não aceitação desse material queimado por empresas de reciclagem, que compram mesmo assim. Será que eles conhecem essa ética? Se preocupam com ela? Em todo caso, essa prática persiste e além, inclui a possibilidade de outro risco maior para a saúde da cidade: a obtenção ilegal do material, aqueles não descartados, mas furtados de instalações prediais, de telefonia.

Percebemos que tais personagens fazem parte do organismo de qualquer grande cidade, acostumada a vê-los empurrando seus carrinhos pelas avenidas e remexendo seus lixões. O problema está na falta de suporte educativo e laboral do poder público para com esses catadores. Paradoxalmente, ouvi testemunhos que, muitas vezes, fiscais do poder público confiscam carrinhos de coleta, cobertores e roupas desses catadores sem teto com o intuito de os forçarem a sair das ruas, como que preocupados em limpar as ruas da cidade. Mas pessoas não são lixo. Sendo constrangidas a tal, se sentem feridas em sua dignidade e direitos básicos. E é assim que, marginalizados, arriscado de torna que alguns fraquejem e caiam para a ilegalidade, na busca por outras formas de renda.

Papéis devem ser catados. O lixo limpado. Mas reciclado deve ser o humano em nós. Afinal, somos também um elemento destinado à renovação. Sem políticas de inclusão social, de redirecionamento prático e suporte moral e material, o indivíduo, enquanto unidade participativa, permanecerá limítrofe em sua condição, não atendido em suas necessidades universais e alheio às questões de alta envergadura social e coletiva. Falar de desenvolvimento sustentável é visar o bem estar do ser, em primeiro lugar. De todo o ser, de todos os seres.

Texto Español

Título del proyecto: Desenvolvimento Sustentável Humano – Trabalhadores de Rua  (Desarrollo Sostenible Humano – Trabajadores de la calle)

Técnica: Fotografía Digital

Descripción del proyecto:
Socialmente ajenos al foco del poder público, confrontamos la situación de personas sin techo, los llamados sin hogar y nos vemos invitados a pensar en su realidad, deficiencias y necesidades, sus      costumbres y conflictos morales que imaginamos de forma superficial. Presento algunas escenas de estas vidas que nos invitan a repensar el ser humano, su condición y sueños.

Con frecuencia miro a estas personas, entre lo perceptible y el limite hacia fuera del cuadro social. Saber como viven, que piensan y que querrían decirme. Son grandes motivadores. Hago fotos a hombres y mujeres luchando para vivir con dignidad, en búsqueda de oportunidades que les ayuden a encontrar una vía económica que les permita sobrevivir, satisfacer sus necesidades básicas,

obtener un mínimo confort y ser socialmente aceptados y respectados. Tener voz y protección. Les llamo trabajadores de la calle.

Algunos recogen papeles en las calles y los venden a las empresas de reciclaje, ayudando así no solo a la limpieza de la ciudad, pero también a la reutilización de material desechado. Otros recogen en la basura y en los restos de construcciones el hilo de cobre, muy valorizado por empresas del tipo “chatarra”. Algunos recolectores de hilo de cobre actúan dentro del llamado ecologicamente correcto, pero otros no. Estos últimos, en lugar de usar peladores de hilo, arriesgan la salud quemando el hilo de cobre para separarlo de su envoltura, inhalando vapores tóxicos e hiriendo la ética de sustentabilidad que impone a las empresas de reciclaje la prohibición de aceptar este material quemado, aunque lo compran igualmente. Es posible que ellos conozcan esa ética?

Se preocupan por ella? De todas maneras, esta práctica persiste y además incluye la posibilidad de otro riesgo aún mas grave para la salud de la ciudad: la obtención de material ilegal, aquellos no desechados, pero robados de las instalaciones de edificios y de telefonía. Nos damos cuenta que tales personajes forman parte del organismo de cualquier gran ciudad, acostumbrada a verlos empujando sus carritos por las calles y revolviendo las basuras. El problema está en la falta de apoyo educativo y laboral del poder público hacia ellos. Paradojicamente, oí testimonios que muchas veces los mismos controladores del poder público quitan los carritos de  colecta, mantas y ropas de estos colectores sin techo forzándoles a que se vayan de las calles, como preocupados en limpiar las calles de la ciudad, pero las personas no son basura. Obligándoles a esto, se sienten heridos en su dignidad y derechos básicos. Marginándoles de esta manera, se arriesga a que algunos acaben cayendo en la ilegalidad, en la búsqueda de otra fuente de renta. Los papeles se han de recoger. La basura se ha de limpiar,  pero el reciclado ha de ser el humano en nosotros. Después de todo, también somos un elemento destinado a la renovación. Sin políticas de inclusión social, de reorientación práctica y soporte moral y material, el individuo, como unidad participativa, quedará limitado a su condición, no auxiliado  en sus necesidades universales y ajeno a las cuestiones de alta envergadura social y colectiva. Hablar de desarrollo sostenible es mirar al bien estar del ser, en primer lugar. De todo ser, de todos los seres.

Imágenes del proyecto/  Imagens do projeto:
Vitor Pontes de Souza Maciel 001. Projeto 1 Vitor Pontes de Souza Maciel 002. Projeto 1 Vitor Pontes de Souza Maciel 003. Projeto 1 Vitor Pontes de Souza Maciel 004. Projeto 1 Vitor Pontes de Souza Maciel 005. Projeto 1 Vitor Pontes de Souza Maciel 006. Projeto 1

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